Roteiro preliminar do espetáculo

 


SUPER WANDERGAY — Estrutura de Dramaturgia

Integração da estrutura original com os eixos conceituais de autoficção, transformação do triângulo e dramaturgia do exorcismo.


1. Entrada do Público / Instalação de Memória (5–7 min)

• As pessoas entram no espaço.
• Vídeos em VHS são projetados (infância, aniversário de 3 anos, casamento dos pais).
• Um vídeo mostra o momento em que as primas vestem o artista com vestido de quadrilha.
• A mãe chega e pergunta: “Quem é essa menininha?”
• O performer já está no espaço, discretamente começando a construir a teia/ringue com fios.
• As estacas/árvores formam um triângulo.
• O público percebe que algo está sendo tecido.

Função dramatúrgica:
O triângulo surge como construção. Ainda não é prisão nem abrigo. É uma estrutura em nascimento.

2. Construção do Casulo / Triângulo (5 min)

• Enquanto os vídeos passam, o artista constrói o espaço cênico com fios.
• O triângulo começa a se tornar um ringue ou casulo.
• O público vê a construção ao vivo.
• Os vídeos terminam.
• As luzes se apagam lentamente.

Função dramatúrgica:
O triângulo assume a forma de casulo. O espaço torna-se um útero simbólico.

3. Nascimento (6–8 min)

• Som de útero ou batimentos.
• Luz vermelha.
• Público distribuído nos três lados do triângulo.
• Performer em posição fetal.
• O corpo desperta lentamente.

Função dramatúrgica:
O triângulo é abrigo, proteção e potência. O corpo ainda não conhece as forças que irão atravessá-lo.

4. Descoberta do Corpo (6–8 min)

• Movimentos curiosos, infantis e desconfortáveis.
• Relação de amor e ódio com partes do corpo.
• Desequilíbrios.
• Saída gradual do centro do triângulo.

Função dramatúrgica:
O triângulo torna-se labirinto e território de investigação.

5. As Três Faces (8–10 min)

• Wander criança/coroinha.
• Wanderley.
• Super Wandergay.
• Deslocamentos entre os vértices.
• Energias distintas.

Função dramatúrgica:
Cada vértice torna-se uma identidade. O espaço vira conflito.

6. O Ringue (5–7 min)

• O triângulo transforma-se em arena.
• Conflito físico entre as identidades.
• Movimento intenso.
• Caos corporal.

Função dramatúrgica:
O corpo entra em combate consigo mesmo.

7. Confessionário (10–12 min)

• Entrada do biombo.
• O biombo transforma o espaço em confessionário.
• Performer veste a túnica de coroinha.
• Público convidado a confessar por bilhetes ou microfone.
• Possibilidade de confissão vendada atrás do biombo.
• Voz distorcida pelo microfone.

Função dramatúrgica:
O confessionário desloca o foco do performer para a comunidade. O silêncio passa a ser compartilhado.

8. A Confissão do Performer (3–4 min)

• O performer entra atrás do biombo.
• Sua voz também é distorcida.
• Faz sua própria confissão.
• Silêncio.

Função dramatúrgica:
Memória e ficção começam a se misturar. O espetáculo não busca reproduzir os fatos, mas reescrevê-los.

9. Exorcismo e Revelação (4–6 min)

• Ainda com a túnica, inicia-se a cena inspirada no exorcismo vivido.
• A luz atravessa os fios do triângulo.
• Sombras são projetadas sobre o corpo.
• As sombras funcionam como grades, marcas, vozes e julgamentos.
• O movimento nasce pequeno, contido e quase imóvel.
• Aos poucos cresce em intensidade.
• Tremores, impulsos, deslocamentos e explosões corporais.
• O performer realiza fisicamente aquilo que não conseguiu realizar naquele momento da vida.

Função dramatúrgica:
A cena é uma autoficção. O corpo faz agora o que antes permaneceu interrompido. O triângulo torna-se prisão e campo de batalha.

10. Revelação do Super Wandergay (3–4 min)

• O biombo sai.
• O performer aparece de túnica.
• Retira-a lentamente.
• Surge a figura do Super Wandergay.

Função dramatúrgica:
Não é apenas troca de figurino. É a passagem entre um corpo definido pelos outros e um corpo que produz sua própria narrativa.

11. Libertação / Música (5 min)

• O performer rompe os fios.
• Início da música.
• Energia crescente.

Função dramatúrgica:
O útero, a prisão, o ringue e o confessionário são atravessados. O corpo reorganiza o espaço.

12. Comunidade (4–5 min)

• Convite para aproximação da plateia.
• Reflexão sobre apoio e sobrevivência coletiva.

Função dramatúrgica:
O espaço antes marcado pelo isolamento torna-se encontro.

13. Final Coletivo (3–5 min)

• A plateia canta “Festa no Apê”.
• O insulto transforma-se em celebração.
• Encerramento coletivo.

Imagem final:
O que começou como silêncio termina como presença compartilhada.

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